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Entrevista com Delmar Maia Gonçalves

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1. Como te apresentarias a alguém que ainda não conhece o teu trabalho?

Apresentar-me-ia como um escritor que busca percorrer o seu caminho, sem estar preocupado com opiniões alheias. Eu escrevo porque sinto a necessidade de escrever, não porque os outros esperam algo da minha escrita. Eu próprio sinto-me realizado ao escrever. Para mim, um leitor \"meu\" é uma conquista, mas não vivo obcecado com opiniões alheias, sejam elas positivas ou negativas, porque, na verdade, o que me motiva e me move como escritor é a própria escrita. Não a fama, o exibicionismo ou qualquer outro ganho. Sentia-me impelido e motivado.

2. Quando percebeste que a escrita fazia parte da tua vida?

Foi ainda em Moçambique, aos 14 anos de idade, fui basicamente \"obrigado\" a escrever e declamar um poema perante uma autoridade. Acabei por vencer um prémio de Emulação Socialista do governo provincial da Zambézia na Escola Preparatória 25 de Junho de Quelimane, ainda enquanto estudante. Lia muitas vezes o jornal \"Notícias de Moçambique\" e a revista \"Tempo\", que o meu pai comprava onde ia sempre à página literária, que me motivava muito no sonho de um dia escrever e outros lerem aquilo que eu escrevia, portanto o meu pai foi grande responsável por eu ser um grande leitor. Cheguei a escrever algumas cartas de leitor para a revista \"Tempo\", ficando muito contente por ver alguns dos meus textos lá publicados. Depois comecei a escrever poemas soltos para mim próprio, quando cheguei a Portugal, já no ensino secundário, participei num concurso de Jogos Florais, que ganhei. Tive também o incentivo de uma professora portuguesa de nome Gabriela Moreira, de Português ,Latim e Francês, ela dizia que eu tinha muito talento para a escrita, ouvir isso de uma professora muito culta, erudita que conseguia ver em mim talento, capacidades e potencial deu-me alento. Mais tarde ganhei o Prémio Nacional de Literatura Juvenil Ferreira de Castro em Poesia, que ganhei, por impulso meu e incentivo dessa mesma professora, que me ajudou a inscrever-me. Considero-me hoje mais do que nunca um autor dadaísta, ou seja, um escritor livre, que não está preso a convenções, à obsessão pela perfeição. A perfeição chega, de forma natural ,pode ser gradual e subjetiva.

3. Houve um momento decisivo que te levou a assumires-te como escritor para o público?

Penso que desde o primeiro livro, Moçambique Novo, o Enigma, que teve tanta adesão e o apadrinhamento de diversos escritores, como Fernando Grade, Maria Alberta Menéres e Alexandre Honrado, o apoio de Matilde Rosa Araújo, o incentivo de Noémia de Sousa, Jorge Viegas, Guilherme de Melo, Ascêncio de Freitas, e de artistas plásticos como Lívio de Morais, Roberto Chichorro, José Pádua e David Levy Lima. Para mim, isso foram grandes incentivos, muito motivadores. Eram pessoas que já tinham carreiras consolidadas na literatura e nas artes plásticas que diziam que eu deveria continuar a escrever. Era impossível desistir com tamanhos incentivos.

4. Que autores ou obras mais influenciaram o teu percurso?

Desde sempre admirei o Eça de Queirós, o Camilo Pessanha, a Noémia de Sousa, o Rui Nogar, o José Craveirinha, o Mutimati Barnabé João, o Bocage, o Alexandre O\'Neill, a Florbela Espanca, o Ernest Hemingway, o Gabriel García Marquéz, o Fernando Grade, o Ascênsio de Freitas e a Matilde Rosa Araújo. Gosto e gostava destes autores, não só pela escrita mas também pela própria biografia que os acompanha. A biografia deles fez-me admirá-los ainda mais enquanto escritores e intelectuais. Em termos de obras literárias, \"Crónica de uma morte anunciada\" de Gabriel García Marquéz é uma grande obra prima, \"Contos\" de Eça de Queirós, \"Sangue negro\" de Noémia de Sousa, \"O velho e o Mar\" de Ernest Hemingway, \"O Louco\" de Khalil Gibran, \"A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile\" de Gabriel García Márquez, \"O menino de Cabul\" de Khaled Hosseini, \"Os filhos da Meia-Noite\" de Salman Rushdie, \"Num país livre\" de V. S. Naipaul, entre outros.

5. Como nasce normalmente um texto teu: ideia, imagem, frase, emoção?

Eu sou um homem muito emocional, vivo com o coração nas mãos e na boca. Tudo o que se passa à minha volta, influencia-me na escrita. Sou muito observador. Sou capaz de sentir pelos outros, sentir aquilo que eles estão a sentir no momento. É escrevendo que acabo por me exprimir, acabando por ser porta-voz dos homens sem voz. Vivo aquilo que os outros sofrem e eu próprio sofro com o que os outros sofrem. Consigo colocar-me no lugar do outro, sou um ser muito empático enquanto escritor e enquanto homem. O processo criativo é algo que acontece naturalmente comigo, quando escrevo normalmente há motivações que me levam para tal. Sou impelido. Por outro lado a minha escrita está muito ligada à minha autobiografia também. Relaciono muito o que os outros vivem com aquilo que eu vivi ou observei, principalmente quando são situações com pessoas muito próximas de mim, pessoas que amo, pessoas a que estou ligado por algum laço, seja ele familiar ,amoroso, de amizade genuína ou de conterraneidade.

6. Onde mais gostas de escrever e porquê?

Para pensar, gosto de pensar em casa. Para escrever, muitas vezes eu escrevo em cafés ou no trabalho, quando estou isolado e livre em termos de tempo. Acho que quando estou com uma ideia na cabeça, fico com ela na cabeça até eu escrevê-la. Fala-se muito no automatismo psíquico, acho que acontece muito comigo. Mas como eu disse, sou dadaísta, estou mais preocupado com a obra em si, o trabalho final é mais importante do que o processo. Não estou preocupado com a estética do texto, mas sim preocupo-me que o processo termine. Só no final, avalio se está bom ou não. Tem de estar bom para mim, para ir em frente com ele, se não estiver do meu agrado, não o destruo mas também não o levo para o público.

7. O que vem primeiro, a história ou as personagens?

As personagens. Como sou muito observador, olho para as pessoas, para a sociedade e para a sua profundidade, o íntimo delas/dela e consigo encaixar em cada uma delas, um personagem. Cada pessoa transporta a sua própria história, muito particular, muito singular, mas seja em prosa ( contos, fábulas, crónicas ,ensaio, cartas, opiniões)ou em poesia, o personagem em primeiro lugar ,sempre e só depois a história.

8. Que temas regressam com mais frequência na tua escrita?

Moçambique. É um tema recorrente para mim. Está sempre presente. Daí eu digo que a minha escrita é auto biográfica, Moçambique é o meu húmus pátrio, sendo a minha pátria ,é um dos maiores focos da minha escrita. A minha obsessão. Para mim é importante também a luz da família, o porto seguro da família. O círculo familiar para mim também é um tema que me é muito próximo e querido. Claro que o amor também está incluído, não tem de ser necessariamente físico, a paixão, mas chega por vezes a ser próximo da paixão, próximo do erótico e próximo do platónico. A literatura não deve ser compartimentada ou limitada. Mas o mundo é mesquinho.

9. Há assuntos que evitas ou que ainda não te sentes preparado para abordar?

Diria que todos os escritores têm assuntos que ainda não exploraram. Eu não sou excepção. Não evito, adio apenas, sendo certo que os acabarei explorando. Quando um \"escritor\" é escritor, sê-lo-á sempre. Há muita coisa que ainda não experimentei e que certamente irei experimentar a médio ou longo prazo. Assim seja e assim possa!

10. Como defines a tua linguagem literária?

Digamos que a minha linguagem literária não é hermética, é uma linguagem simples, porque entendo que por vezes ou quase sempre o simplicidade é mais complexa e porque entendo também que a linguagem simples consegue chegar a qualquer público, embora a percepção dessa linguagem seja diferente para as várias camadas da sociedade. Mas prefiro que todos entendam a minha linguagem e sobretudo a minha mensagem, portanto que todo o público tenha a possibilidade de ser meu leitor e nunca que haja apenas um grupo restrito de leitores para aquilo que escrevo. E como eu disse no início, eu faço parte desse movimento dadaísta que concentra em si esse grupo de leitores, escritores ,pensadores e criadores livres, fujo sempre dos convencionalismos literários. Mas é bom relembrar que o grande escritor português Almeida Garrett incitou os poetas do Brasil a libertarem-se dos modelos europeus. E a verdade é que a partir do Parnaso brasileiro, de 1829 a 1932 de Januário da Cunha Barbosa, por sinal inspirado pelo Parnaso Lusitano de 1826, começou a ser mais notório o abrasileiramento poético que o modernismo tão explicitamente reclamaria. É este o caminho a seguir pelos poetas moçambicanos. Moçambiquizar a criação poético-literária.

11. A tua escrita é mais intuitiva ou racional?

Penso que é intuitiva, por isso eu digo o que penso. Sou genuíno. Primeiro observo, depois penso e por fim escrevo. Entre mim e o poeta não existe diferença. Pratico o meu poema. Não conheço a incoerência. Viro-lhe as costas!

12. Qual foi o livro/texto mais desafiante que escreveste?

Penso que foram três, não um. O livro Mestiço de Corpo Inteiro, pelas implicações que tinha e tem, ao assumir-me mestiço de corpo inteiro, a necessidade de afirmar-me como homem, afirmar aquilo que sou, num mundo que vive nesta dualidade do branco e preto como se não existissem outros. Uns velhos outros novos, uns baixos outros altos, uns gordos outros magros e outros nem uma coisa nem outra ,mas existem. E Fuzilaram a Utopia, devido à obsessão que tenho por Moçambique e a minha moçambicanidade, é um livro que trata muito a questão de os moçambicanos terem sonhado com um país que lhes prometia um grande futuro ,após a independência, os moçambicanos tinham e têm muitos sonhos de um país justo, fraterno, aberto, democrático, inclusivo, desenvolvido, com grande potencial e que de repente percebemos que continua a ser um país que não protege os seus, onde ainda há falta de água potável, falta de eletricidade, onde as ruas e as estradas estão em péssimas condições, onde as crianças ainda estudam no chão em muitos lugares. O povo não tem hospitais com a qualidade que já deveriam ter e finalmente onde todo o potencial que o país tem não foi explorado, após 50 anos de independência. Há uma elite que vive escandalosamente no luxo, na verdade uma minoria. Então a minha crença quanto a isso é que \"fuzilaram a utopia\", o sonho de um povo, a realidade que se podia ter concretizado e pode ainda ser concretizada. E ainda \"Entre dois rios com margens\", que transmite a mesma mensagem que \"Fuzilaram a Utopia\". Noutro género também foi desafiante \"Edmar e a montra da loja franca,\" um livro infanto- juvenil, um género que ainda não explorei muito, mas que é desafiante, bonito e interessante, também dentro do contexto de Moçambique e da chamada lusofonia.

13. Há alguma obra tua que sentes que não foi compreendida?

Acho que em todos os meus livros há textos que confundem as pessoas. Em Mestiço de Corpo Inteiro, muita gente entendeu aquilo como uma forma de eu rejeitar os negros ou de rejeitar os brancos. E não foi isso que eu quis transmitir. Mas sim afirmar a minha humanidade, a minha identidade mestiça, de moçambicano e também de um ser humano que não pode rejeitar nenhum dos dois, fazendo eu parte de ambos. Em \"Afrozambeziando Ninfas e Deusas\", eu escrevi sobre mulheres. Não se trata apenas de mulheres com quem tive relações. Retrato a mulher na sua dimensão global, a mulher mãe, a mulher esposa, a mulher filha, a mulher irmã, a mulher amiga e as mulheres em geral. Em \"V tenho V corações\" é dedicado a uma pessoa em especial. Há textos em que falo de amor e há textos em que falo dos dramas da vida, do destino, das contingências da vida e também das ingerências externas e manipulações bem orquestradas, para mim as mulheres foram sempre muito importantes, no meu percurso. Portanto o leitor tem sempre essa liberdade de interpretar como quiser, só numa conversa direta com o autor, é que se pode esclarecer, a mensagem que o mesmo queria transmitir. Nem toda a gente vai conseguir interpretar aquilo que queremos transmitir. Por isso devemos empenhar-nos no nosso texto, temos de ser nós, sem pensarmos no que os outros vão pensar e interpretar sobre o que escrevemos. Eu escrevo sobretudo porque tenho motivações para escrever sobre aquele tema ou outro qualquer.

14. Se tivesses de escolher um texto teu para ser lido hoje, qual seria o texto/temática?

É complicado, creio que não escolheria um texto, mas talvez três. Como são diversas temáticas, eu diria que há textos meus onde eu poderia escolher um texto em relação a Moçambique, um texto em relação às pessoas que amo e um em relação ao mundo em que vivemos (antigo, atual e futuro). Sou muito crítico mas também autocrítico. Ao olhar para o mundo, para as pessoas, procuro respostas que até muitas vezes estão nos meus textos, no meu olhar, no olhar dos outros mas que até se podem contradizer, porque no fundo é assim que vivemos. Vidas com muitas contradições. Coisas boas, coisas más, coisas perfeitas, coisas imperfeitas, o bom e o mau, sempre com dicotomias, divergências e convergências. Nós observamos, sentimos, pensamos, escrevemos. E vai ser sempre assim. Portanto um texto em especial será sempre difícil, dois facilita, três ou mais e fica perfeito. Enquanto escritor, irei sempre explorar todos os temas possíveis e imaginários. Havendo uns que são mais relevantes para mim do que outros. Volto sempre a eles, é difícil fugir deles, como se vivesse num círculo onde volto sempre ao local de partida.

15. A escrita dialoga com outras artes no teu trabalho?

Sim, sem dúvida. Além de escritor e professor sou um estudioso, sem qualquer tipo de arrogância ou outro adjetivo qualquer que queiram atribuir-me. Sou de facto um estudioso, curioso, que ama todas as artes e portanto há aí um diálogo permanente, com as artes plásticas e outras artes. Sempre envolvi nos meus projetos artistas plásticos, há uma grande familiaridade com os criadores. Sempre tive uma relação muito especial com as artes plásticas (pintura e desenho), com a dança, com a escultura. Sinto essa conexão entre a literatura e as outras artes. Por exemplo a sétima arte, que é o cinema, sempre me fascinou, sempre associei a literatura com o cinema. Ver filmes também alimenta-me as ideias. Tem de me tocar a parte emocional e empática, que já referi antes. Se me tocar, sai sempre qualquer coisa, seja crítica ou auto crítica, seja imaginária ou fantasiosa.

16. Para ti, que já fazes parte dos veteranos, o que significa ser escritor hoje?

Penso que ser escritor não se trata dos dias de hoje, mas de sempre. Um escritor sempre foi um guerrilheiro da palavra, o escritor sempre foi um farol das sociedades. Ele tem uma missão na sociedade, essa missão, esse sentido de missão que os escritores transportam com eles é uma responsabilidade enorme. O escritor pode alertar, acordar mentes adormecidas, revolucionar uma sociedade, incentivar os jovens à ação, incentivar os leitores à ação, inspirar as novas gerações e por outro lado também pode servir de estandarte da memória coletiva, quer do passado quer do presente. Quando o escritor fixa isso nos livros, as sociedades assumem aquilo que lêem como algo que é também seu. O escritor é um porta voz, ele transmite escrevendo aquilo que muitos pensam e com o qual se identificam e se revêm, nesse sentido os escritores são de facto indispensáveis a qualquer sociedade.

17. O digital mudou a tua forma de escrever ou publicar?

Sempre fui um escritor caótico, tenho um monte de papéis espalhados pelas gavetas da casa. Desde o meu escritório ao meu quarto, até mesmo à minha mala ou mochila com a qual ando. Mas sempre que escrevo não recorro logo ao digital. Agora há a necessidade de passarmos tudo para o digital. Seja onde for e onde quer que se publiquem os textos, há a necessidade de passar para o digital. Antes era mais no papel onde tínhamos de rasurar e depois até passar a limpo, o digital apenas facilita na auto correção. Mas eu continuo a acreditar no tradicional, só depois passo para o digital. Não acredito no uso da inteligência artificial para escrever textos. Não sou apologista desse tipo de ferramenta para escrever. Qualquer pessoa que recorra a esse tipo de ferramenta, não pode denominar-se escritor. Mas regra geral é primeiro ser leitor depois ser escritor, nesse caso, se escrever é claro. Porque nem todos querem ou sentem necessidade de escrever. Um escritor sentirá sempre a necessidade de escrever. Sentirá esse apelo.

18. As redes sociais ajudam ou atrapalham no processo criativo?

Eu penso que há dois aspetos a considerar. Um positivo e um negativo. O negativo é que as redes sociais podem-nos distrair do foco de escrever, do ato criativo devido às distrações e ao excesso de informação que há nas redes sociais, excesso de atrativos e distrações. O aspeto positivo é a divulgação de autores que o sistema não quer divulgar ou valorizar. Então as redes sociais podem ajudar a divulgar, promover e dar a conhecer escritores que o sistema renega e quer desprezar, porque fogem aos convencionalismos literários. As redes sociais ajudam a combater o elitismo e o exclusivismo literário. Tornei-me um bocadinho adepto das redes sociais, pois podem ser usadas positivamente e com alguma moderação e sabedoria.

19. Na tua opinião, escrita é profissão, vocação ou necessidade?

Acho que é necessidade. Porque um escritor sente-se impelido a escrever. Mas por outro lado também pode ser vocação porque um indivíduo que não está vocacionado para a escrita facilmente desiste. Há muitos que escrevem para serem famosos, para terem visibilidade. Mas aquilo morre ali, não há seguimento. Enquanto que um indivíduo que nasceu para escrever é quase como se se sentisse obrigado a escrever, vem de dentro, das profundezas da alma. Não é algo que se faz para ganhar protagonismo, isso é apenas consequência, resultado do que fazemos, do trabalho do ladrilhador ou operário das palavras. Só quem tem vocação sente essa necessidade, esse apelo.

20. A escrita é uma forma de resistência?

Sim. É uma forma de resistência, por isso é que eu digo que escrever mantém-nos vivos, por isso é que eu considero que o escritor é um guerrilheiro da palavra. Ele observa, pensa e escreve. Acaba sendo porta-voz voluntário ou involuntário dos sem voz e um escritor acaba por ser também um visionário, alguém que vê muito para além do que se vive, muito para além da época em que se vive, muito para além do seu tempo. Vê de longe aquilo que os outros não conseguem ver. Muitas vezes incompreendido. Por isso também, normalmente os escritores são solitários.

21. Estás a trabalhar em algo atualmente para trazer ao público num futuro próximo?

Sim, estou, mas prefiro não falar sobre os projetos em concreto. Posso apenas garantir que estou mais focado do que nunca.

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